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ESTILHAÇOS

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    Sinto cada fragmento destrinchado, pedaços meus estão flutuando no espaço, e o que serei de mim quando juntar todas as partes novamente? Sou como um espelho, vens até mim e te vejo como és, você vê apenas o que quer, insatisfeito dá-me um soco e me quebro. Preciso de um novo espelho, ser o meu próprio, necessito me enxergar, consegues me ver daí?     Tenho sempre um caderno de anotações e uma caneta preferida, eles são o que uso para fazer a junção dos estilhaços, aparentam estar inteiros e como um nó frouxo desata, se solta, desprende-se, pois nunca mais será como antes. Preciso de ajuda, sem hesitação, por favor. Sinto que não devo baixar a guarda em momento algum, deixo as necessidades humanas pra lá, vejam como sou forte! (contém ironia), sabiam que posso até gerar uma nova vida? É como ter super poderes. Há dias em que choro só de ver a louça suja na pia ou quando o rolo de papel acaba quando estou no banheiro. O que é uma rede de apoio pra você? Falar que v...

TEMPO

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   Me dou o luxo de gastar breves segundos olhando pra tela do computador, uma página em branco aguarda minha desordem mental, a cada fração de instante paro pra observar as coisas a minha volta, sou interrompida num intervalo  de piscar de olhos. Os domingos não são mais os mesmos, o dia costumava começar as 8:37 eu acho, antes não importava. As manhãs tinham cheiro de café e tapioca, nesse instante sinto aroma de alfazema e produtos jonhson’s, o que não é ruim, mas minha dimensão de tempo nunca mais será a mesma, meu próprio tempo não é mais meu. Você já parou pra pensar no que anda fazendo com seu tempo? Se me perguntam o que costumo fazer nas horas vagas, respondo que gostaria primeiramente de tê-las.     Nunca imaginei que 8 horas de sono ininterruptos seria algo tão vital e por hora, uma virtude inalcançável, me sinto como um alien com o tempo completamente avesso ao resto do mundo. O que estou querendo dizer é que tempo é vida, e vida é o que fazemos...

ÓCIO

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    “Todo dia ela faz tudo sempre igual”, Chico Buarque em sua canção me representa. A monotonia dos meus dias é reconfortante, apesar de às vezes pesar tanto a ponto de enrijecer meus ombros. Feito um malabarista na corda bamba conduzo e equilibro meus dias, só termino meu show quando a minha plateia está dormindo, me aplaudo por ter vencido mais um dia. Junto à aurora, uma nova oportunidade de fazer as mesmas coisas.     Mas hoje não! Não costumo parar, respirar fundo, mas hoje eu me permito ficar no ócio, apoiar as costas no sofá, rolar por alguns minutos o feed do Instagram, tomar um banho sem pensar no que ainda vou fazer depois, hoje vou me dar o prazer de ficar a toa.     Que estranha a sensação, há tempos não sentia, já não lembrava mais como era estar na minha própria companhia, confesso que estava com saudades, me dou um abraço apertado e digo “como é bom te ver”. Conto pra mim mesma as boas novas e as não tão boas assim, invento umas pi...